terça-feira, 22 de março de 2011

Discurso do Presidente da República na Cerimónia de Homenagem aos Combatentes no 50º Aniversário do início da Guerra em África

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Quis o Senhor Presidente da República (ouvir discurso no link), exortar os jovens de hoje a viverem a determinação e o desprendimento dos jovens do nosso tempo, que fizeram a guerra do Ultramar.

Como não podia deixar de ser, logo vieram aqueles que, achando-se donos da verdade, atacam tudo o que possa ser, no seu entender, alguma espécie de elogio ao anterior regime que governou Portugal.

Tomando a “nuvem por Juno”, decidiram que o PR estava a elogiar o regime, em vez de perceberem que o referido Senhor estava a prestar uma homenagem à abnegação e coragem daqueles que combateram na guerra do Ultramar em nome de Portugal.

(Curioso até que o PR tenha referido os combatentes africanos que connosco combateram e foram na maior parte vilmente abandonados à sua sorte.)

Estes impolutos “pensadores”, (a maior parte criancinhas em 1974), vieram com uma certeza inabalável, explicar aos “ignorantes” Portugueses as nossas motivações, e até como foi a guerra, etc., etc., como se lá tivessem estado e o seu conhecimento da coisa fosse o único correcto.

E em vários lugares lá fomos apelidados daquilo que há muito não ouvíamos, com termos como: colonialistas, assassinos, torturadores, bárbaros, fachistas e por aí fora.

E então a grande razão para que não pudesse haver elogio, nem homenagem, à nossa geração, era porque não tínhamos sido voluntários, porque tínhamos sido obrigados, que se pudéssemos tínhamos fugido, e por isso mesmo, não havia determinação, nem desprendimento, nem coragem, nem lugar para homenagem.

Quer isso então dizer que se os militares que forem para uma guerra, (uma guerra a sério com aquela de que falamos), não forem voluntários, não são determinados, não são desprendidos, não são corajosos, não são merecedores de homenagem.

Esquece-se esta “malta” que assim fala, que esses jovens não tiveram a vida fácil, porque nada era fácil naquele tempo em Portugal.

Mas para a coisa se tornar mais complicada foi-lhes “dada” uma guerra que tiveram de fazer, e ao regressar, (aqueles que regressaram, apesar de tudo uma maioria), ainda tiveram que lutar sozinhos para se readaptarem à vida do seu país, uns a trabalharem que nem uns “desalmados”, outros a fazê-lo nos bancos das escolas superiores ou não, alguns, (muitos, quase todos), a lutarem diariamente com os fantasmas que trouxeram e a eles vieram agarrados, com a incompreensão de todos, às vezes até da própria família.

E foram estes jovens por todos desprezados, quer no passado, quer no depois presente próximo, que foram construindo o país em que agora estes pseudo-intelectuais peroram, como se lhes tivesse custado alguma coisa a vida que agora vivem.

Realmente continuamos a ser “carne para canhão” mas, desculpem-me o “marialvismo”, gostava que um desses me viesse dizer na cara aquilo que diz aos microfones, ou escreve em jornais, ou blogues.

Talvez, dos meus fracos quase 62 anos, ainda saísse algum desprendimento ou determinação para lhe enfiar duas lambadas bem merecidas.

E não me venham dizer que estou a branquear isto ou aquilo!

Eu não sou Omo nem Tide e por isso não lavo, nem branqueio, estou apenas, repito apenas, a falar de combatentes e da forma como foram e são tratados.

Tenho dito.

Monte Real, 18 de Março de 2011
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fotografias aéreas do Xitole

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Encontrei estas fotografias aéreas do Xitole alojadas num site guine74's Profile

Peço assim autorização ao autor para aqui as colocar, julgando que deve ser alguém da CART 3492, visto que tem também fotografias várias do pessoal, tal como Lima Rodrigues, etc.

Depois de uma rápida passagem aqui pelo blogue percebi que as fotografias são, quase de certeza do Álvaro Basto, pelo que a autorização está sem dúvida conseguida!
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fotos do 3º Encontro Anual da CART 3492

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Foi no dia 7 de Novembro em Monte Real.
Agora cada um que se dê ao trabalho de identificar o pessoal, e numerando de cima para baixo as fotografias, coloque nos comentários os nomes de cada um.
Até para o ano e sempre.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

3º ENCONTRO ANUAL

E afinal já não é no dia 24 de Outubro, mas sim em
7 de Novembro,
em Monte Real e no mesmo restaurante da Pensão Montanha.
A ementa será:
Entradas (que já todos conhecem).
Sopa de Feijão à Lavrador.
Leitão.
Doces e queijos.
Café e vinhos.
Tudo pela módica quantia de 15,00€.

Para dormidas têm de dizer com antecedência.

Estamos limitados a 80 lugares pelo que pedimos a todos que esses lugares sejam para o pessoal da companhia, esposas e filhos menores.

Os outros familiares terão de ficar em lista de espera, pois não faz sentido não haver lugares para aqueles que serviram na CART 3492.

Inscrevam-se rapidamente para podermos saber quantos lugares ficam disponíveis.

Até Monte Real!!!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

3º ENCONTRO ANUAL

RECTIFICAÇÃO
Conforme já se encontra publicado abaixo, relembro que o nosso 3º Encontro Anual não pode ser efectuado no próximo dia 5 de Outubro por indisponibilidade do restaurante.
Em breve publicaremos a data certa que em princípio deverá ser no penúltimo sábado do mês dia 24.
Álvaro Basto

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

REENCONTROS

Há uns tempos atrás recebi a seguinte mensagem de correio electrónico:
Bom dia. Venho falar por parte do meu padrasto, Arcanjo Oliveira do cart 3492 no xitole, de 1971 a 1974, que gostaria de o conhecer ( ou reconhecer), para falarem e encontrar os camaradas dessa companhia e mais alguma coisa que surja. Caso queira contactar pode ligar para o 234943665 ou para o 917181741.Pode ligar a qualquer hora que neste momento ele está de férias. Com os melhores cumprimentos. Ricardo Santos e Arcanjo Oliveira
Consultada a velhinha lista do pessoal da CART 3492, lá aparecia o nome do Arcanjo da Silva Oliveira. Na minha subsequente resposta, pedi ao Ricardo e ao Arcanjo fotografias dele lá no Xitole e da actualidade e prontamente lá recebi nova mensagem com um extenso anexo onde se podiam ver as fotos que reproduzo abaixo. Quem se recorda dele? Decerto todo o pessoal do 2º pelotão bravamente (!) comandado pelo Xico Silva de Lisboa. Em conversas posteriores o Arcanjo mostrou grande vontade de se juntar a nós e a melhor oportunidade será a do nosso 3º Encontro Anual que se realizará em Monte Real no dia 5 de Outubro. Um grande abraço ao Arcanjo e lá contamos com ele em Monte Real no próximo dia 5.
Álvaro Basto
O Arcanjo Oliveira nos nossos dias
O Arcanjo no Xitole

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Nosso 3º ENCONTRO ANUAL

Viseu Junho 2007
Caros camaradas.
No próximo dia 5 de Outubro, uma segunda feira e último dia de um fim-de-semana prolongado, vamos organizar o nosso encontro anual de novo em Monte Real, perto de Leiria
À semelhança do ano passado, iremos tentar contactar telefonicamente os camaradas de quem temos o respectivo numero, para assim podermos com mais certeza, sabermos quem vai estar presente e desta forma podermos melhor planear o almoço.
Quem quiser desde já garantir a sua presença pode fazê-lo, ou aqui nos comentários, ou via telemóvel para mim (965031310) ou para o Mexia Alves (962108509).
Este ano teremos a presença de pelo menos mais um camarada que se voltou a juntar às "tropas", o Arcanjo Oliveira do 2º pelotão.
Álvaro Basto
ATENÇÃO
A data de 5 de Outubro é impossível pois o "nosso" restaurante já tem compromissos.
Vamos marcar para um dos últimos Sábados de Outubro.
No ínicio da próxima semana daremos a conhecer a data do almoço/convívio, em Monte Real.
Abraço para todos
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Encontros-Ponte de Lima

Em 2 de Maio passado, estava um daqueles dias lindos de Maio em Ponte do Lima a anunciar a Primavera.
Transparente e quente, parecia que a natureza nos queria acompanhar na alegria que iríamos em breve ter ao reencontrarmos velhos amigos com quem há 37 anos convivemos bem de perto durante largo tempo em África, na longínqua Guiné.
Tinha sido o dia escolhido para mais um reencontro informal.
Desta vez iriam estar presentes o Barroso, o Lima Rodrigues, o Evaristo, o Basto,o António Alfredo (o Doc), o António Silva e a Cristina, a nossa querida Cristina que, com 19 anos na altura, enfrentou corajosamente o isolamento e o perigos da guerra no Xitole. Espírito aventureiro próprio de quem é jovem, por lá permaneceu na companhia do seu companheiro na altura e nosso camarada. o Carlos Fernandes.
Estivemos todos a almoçar no "Açude" onde se come divinamente e depois, aproveitando o belíssimo dia, passeou-se pela margem direita do Rio Lima e sobretudo conversou-se muito.
Só foi pena a falta de outros camaradas que habitualmente marcam presença nestes encontros informais e que por razões diversas não puderam estar presentes.
Aqui fica a reportagem fotográfica:
Ponte do Lima num dia de sol esplêndido
O Casal António Barroso e Virgínia A Cristina Botelho em primeiro plano seguida do Lima Rodrigues e do António Alfredo
O Evaristo, a esposa o António Silva a esposa Albina e a Fernanda Basto
O António Alfredo, o Lima Rodrigues, a Cristina a Virgínia e Barroso
O Grupo a posar para a posteridade
Um passeio para ajudar a digestão na ponte velha de Ponte do Lima
O grupo encabeçado pelo Lima Rodrigues que briosamente comandava o pelotão como era hábito já
A Cristina à esquerda e o restante grupo a passear
A Fernanda Basto e a Albina Silva
A Cristina e a Virgínia Barroso

Uma memória, uma emoção, uma gratidão.

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. Quando eu era menino, aliás mesmo já antes de eu nascer, vivia em casa dos meus pais, uma senhora, sim uma senhora, que tendo sido empregada em casa dos meus avós paternos, (que nem a minha mãe os conheceu pois morreram no principio do século xx, com o surto, salvo o erro, da pneumónica), nunca saiu de perto do meu pai, ficando assim a viver lá em casa.
Mais velha do que o meu pai, (que nasceu em 1899), nunca quis deixar de trabalhar e assim tratava sobretudo da capoeira e, lembro-me bem, era quem embebedava o peru para o Natal.
Era carinhosamente tratada por Ti Pedrosa, e recebia sempre dois beijos de cada um de nós, meninos estudantes em Lisboa, sempre que regressávamos a Monte Real para os diversos períodos de férias.
Era família, tão família como qualquer avó muito querida, e que, mesmo tendo um pouco de seu, e mesmo depois dos sobrinhos da Argentina a quererem vir buscar, nunca quis sair de nossa casa, pois era ali que era a sua casa, a sua família.
De quando em vez fugia-lhe a palavra para o antigamente e tratava o meu pai por menino Olympio, numa ternura incapaz de aqui reproduzir, sobretudo por ver aquele homem grande enternecido por aquele tratamento tão íntimo.
Neste momento, já perguntam os meus camarigos o que é que tudo isto tem a ver com a Guiné!
Perguntam, porque já não temos a mesma paciência que ela tinha em esperar pelas férias, para ver como tinham crescido os seus meninos e quase obrigar as galinhas a porem os ovos amarelinhos, (que agora já não existem), para nós comermos estrelados em azeite, numa frigideira tão velha que já tinha a gordura “incorporada”.
Pois nos idos do mês de Abril de 1972, (mais para a frente ou mais para trás do dia 6, data do meu aniversário), recebi no Xitole uma carta, cujo envelope escrito com caligrafia vacilante, tinha inscrito no remetente: Ti Pedrosa – Monte Real.
A letra não era dela, que não sabia escrever, mas de outra empregada que a seu pedido me dava os parabéns pelos meus 23 anos e servia de cobertura a uma nota de 20$00, para eu comprar o meu presente.
Calculam como o meu coração, já de si tão mole e sensível, enviou aos meus olhos a ordem para, com uma qualquer água, afastar o pó da Guiné e lubrificar a minha vista.
Claro que aquilo não era lágrimas, eram apenas os meus olhos a protestarem pela luz tão intensa da Guiné.
Foi um oásis de ternura, na brutalidade da guerra.
Mais tarde, uns meses mais tarde, julgo que ainda na Guiné, recebi outra carta, agora com a letra redonda e bem tratada da minha mãe, que me enviava, a pedido da Ti Pedrosa, uma fotografia sua, tirada nos seus oitenta ou noventa anos, que infelizmente a memória já não me deixa lembrar com precisão.
Dizia a minha mãe que a Ti Pedrosa tinha feito questão de tal envio e de que me dissesse da sua grande preocupação que o “benjamim” da família andasse por terras tão estranhas, a fazer coisas tão perigosas.
Que me cuidasse muito, tivesse cuidado com as temperaturas e que voltasse depressa e bem.
E porquê esta história agora?
Porque hoje tive uma insónia povoada de sonhos amargos, coisas da Guiné, e no meio da perturbação, da agitação, veio ao meu pensamento, (ou seria ao coração?), a imagem, a lembrança da Ti Pedrosa que lá no Alto olha por mim, tanto que pouco depois adormeci calmamente.
Claro que não podia deixar de lhe fazer esta homenagem, contando os seus gestos de ternura, que tanto amenizaram durante uns tempos, a dureza da minha vida na Guiné.
No meio das emboscadas, das minas, dos tiros, das dores, dos horrores, das horas amargas que aqui na Tabanca se vão desfiando, deixo-vos esta lágrima de amor, esta gota de ternura, este gesto de carinho, esta memória, esta emoção, esta gratidão.
Abraço-vos fortemente, meus camarigos, com um sorriso nos lábios, porque no peito de todos os combatentes, dos ex-combatentes, endurecidos pela guerra, empedernidos pela morte, ainda bate um coração sensível, que se alegra e enternece com os gestos de carinho, de amor, daqueles que por cá penaram a nossa estadia na Guiné.
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Monte Real, 20 de Maio de 2009
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Coloco aqui esta história verdadeira, claro, que foi publicada no blogue a que chamamos Tabanca Grande, porque foi passada quando estava no Xitole.
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