sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Faz hoje 36 anos que chegamos à Guiné

Um brinde muito especial do Almeida e Silva, do Barroso e do Alvaro Basto, a todos os resistentes que com eles viveram essa epopeia por terras de África chamada Guerra do Ultramar. Faz hoje 36 anos que a iniciavam quando o Niassa, às 4 da manhã, parou as suas máquinas e todos acordaram com o silêncio e o calor húmido da noite Africana.
Reunidos no "Vilas" em Leça do Balio, junto com três dezenas de outros camaradas, numa festa de Natal da mini-tertúlia de Matosinhos do Blogue do Luis Graça e Camaradas da Guiné, estes velhos amigos ergueram o seu copo de whisky (um whisky "Monks" raro, ainda trazido da Guiné em 74 pelo Barroso) e os três tiveram um pensamento muito especial para todos quantos partilharam com eles esses anos de 71 a 74 por terras da Guiné.
Um Bom Ano cheio de saúde e coisas boas são votos sinceros do
António Barroso
Almeida e Silva
Alvaro Basto
27 de Janeiro de 2007

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O NOSSO CRUZEIRO DE NATAL

Meus caros Estão a cumprir-se 36 anos sobre a data de embarque para o cruzeiro memorável para a Guiné, em que a maior parte de nós teve o privilégio de participar.
O "paquete" Niassa de seu nome, foi equipado a preceito como bem se recordam, com camaratas tipo andaime num porão, onde mais de 500 jovens partilhavam essa inovação tipo "open space" (embora praticamente não houvesse escotilhas (?) para o exterior) e que só agora está na moda, para transporte de clandestinos no sentido inverso!
A carga de melaço com que o outro porão foi carregado, e que só por maldade ou manifesto mau gosto, alguns disseram ter um cheiro horrorosamente enjoativo (a maledicência é realmente um característica dos portugueses...).
A data, que foi alvo das mais elaboradas cogitações pelos altos cérebros (?) das forças Armadas da altura, não poderia ter sido melhor escolhida. Como seria possível aos mais de 500 ex-militares, respectivas famílias e amigos, ainda hoje terem esta recordação tão viva e forte desse evento. Todos temos garantidamente inumeras recordações desse memorável cruzeiro, mas permito-me recordar as que ainda hoje sinto como mais marcantes.
Aquela sessão de cinema ao ar livre com a projecção do filme "A Batalha das Ardenas" (escolhido garantidamente pelos tais cérebros (?) brilhantes). Sim, quem tem dúvidas sobre o enorme efeito moralizador, que um filme de guerra teria sobre aqule enorme grupo de jovens ansiosos por saber como era a guerra? (os tais maledicentes lá vieram com o argumento de que se tratava de uma batalha mais adequada para a cavalaria, porque quase só metia tanques, e que nós eramos tropa de artilharia.
Mentira e má vontade, porque toda a gente sabe que nenhum de nós sabia raspas de peças de artilharia (seriam o morteiro 60 ou a bazooka peças de artilharia? Agora fiquei um pouco baralhado , mas como eu era um generalista de operações especiais e com a ajuda da idade posso estar a fazer algumas confusões...).
Mas, e os jogos de ping-pong que invariavelmente terminavam por falta de bolas, pois ao longo do jogo iam voando borda fora...) E para os mais privilegiados, o grupo musical (a que o Mexia já se referiu) e cujo repertório de musicas românticas abalava mesmo os mais machões! E só por pudor termino este evocar de recordações, em que o cinismo apenas serviu para atenuar toda a revolta que ainda hoje sinto por tamanha estupidez, que é mandar mais de 500 jovens para a guerra na véspera de natal, quando nada justificava essa decisão, pois ainda havia para cumprir um mês de IAO. Felizmente para todos nós, poderemos festejar este Natal com aqueles que para nós são importantes e recordar todos aqueles com quem, infelizmente, já não podemos partilhar esta alegria. A todos desejo que passem um Santo Natal e um óptimo 2008!!!
João Lima Rodrigues

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O humor do Estado Português ou a sua preocupação com o bem estar dos seus militares...

O titulo, pode parecer estranho, mas a verdade é que só levando a coisa para o gozo é que podemos recordar certos acontecimentos da nossa vida militar.
Ao que julgamos saber, eu e mais todos os que me acompanharam na viagem do Niassa para a Guiné, foi a preocupação do Estado Português em nos proporcionar um Natal diferente e mais familiar, que nos fez embarcar no célebre Paquete de Luxo Niassa, no dia 21 de Dezembro de 1971, por forma a podermos celebrar, com a grande família militar, as festas natalícias desse ano, na certeza de que muito apreciaríamos esse gesto de carinho e interesse pelo nosso bem estar.
Claro, a maior parte de nós, há mais de 19/20 anos que passavámos o Natal com a família e, por isso, sabendo que estavamos enfadados com a rotina, decidiram dar-nos assim umas Festas diferentes.
Ao que me lembro, o Niassa transportava o nosso Batalhão, e uma ou duas Companhias Independentes, o que já era uma população muito considerável para tão frágil navio.
Lembro-me de ter ido jantar um dia com os soldados do meu pelotão, e ter ficado impressionado e chocado com as condições de transporte daqueles homens.
No chamado bar de Oficiais havia uma banda de música, composta se não me engano por três indivíduos de idade avançada, pelo menos para mim, o que tornava o ambiente ainda mais surreal.
A mesa de pingue-pongue na varanda (não sei o termo náutico, tombadilho?), junto ao bar deixou rapidamente de ter clientes porque, julgo eu, devem ter acabado as bolas para o jogo, no Atlântico ao sabor das ondas.
Lembro-me ainda da excitação do pessoal quando se avistaram peixes voadores, porque tirando a experiência dos mais viajados, para a maior parte era algo que apenas pertencia aos livros de Zoologia.
O calor, quando entrámos no Golfo da Guiné, era insuportável, e somado ao barulho constante das máquinas do navio e ao cheiro a vomitado que tomava conta dos corredores, tornou o Natal a bordo algo de inesquecível, dando razão àqueles que, preocupados com o nosso bem estar, nos fizeram embarcar naquela data para a Guiné.
Chegados ao largo de Bissau, descemos directamente para as LDG, que nos transportaram para a ilha de Bolama, (pelo menos o meu Batalhão), onde fomos recebidos com cânticos do folclore autóctone, nomeadamente, a por demais conhecida canção Periquito vai no Mato.
Ficámos em Bolama cerca de um mês, mas isso é estória para depois.
.
Nota.
Texto, com algumas alterações, já colocado no Luis Graça & Camaradas da Guiné.

O Xitole em 2000

Imagens feitas por um grupo de ex-combatentes que em 2000 se deslocaram à Guine em romagem de saudade.

Dos edifícios que aparecem, só se reconhece a casa do Chefe de Posto, hoje um escola, as Messes dos Oficias e Sargentos e o armazém de víveres.

Tenciono visitar aqueles lugares em Fevereiro próximo e está desde já prometida nova reportagem mais completa

Álvaro Basto

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Crachás de identificação das unidades do Xitole

O Álvaro colocou, (e muito bem fez), o crachá da CART 3492 no lado direito aqui do nosso espaço do Xitole.
Ficamos agora à espera que aqueles que pertenceram a outras unidades que estiveram no Xitole nos façam chegar os seus crachás para ali serem colocados, "ouviste" David Guimarães?
Não sejam preguiçosos!
Estamos à espera de histórias do Xitole ou relacionadas com as unidades que aí estiveram.

Dois Natais Diferentes

Imagens sem comentários de dois natais diferentes passados na Guiné

Quem souber os nomes dos "artistas" que os diaga. Acho que a comunidade ficaria muito agradada

Quem não se lembra dele? O Toni de Mansambo? Que será feito dele? Era de Lisboa, lembram-se ? Imitava na perfeição outro "colega" o António Mourão.

Nem o azeite "Serrata" faltava na ceia.. fruto de uma mãe zelosa do seu filho combatente.

Imagem histórica com as nossas "bravas" companheiras de desterro

Álvaro Basto

domingo, 9 de dezembro de 2007

Está aí mais um Natal

Pois é malta.
Está aí mais um Natal.
Os Bravos do Xitole da 3492 vão uma vez mais passa-lo com as suas familias, no aconchego dos seus lares, já esquecidos do que foi o nosso primeiro Natal a bordo do "Niassa".
Eramos uma família de desconhecidos a disfarçar mal a mágua de estarmos a passa-lo em alto-mar.
A terra e a familia ainda agora estavam ali e pronto... lá íamos nós para a Guerra, apreensivos e assustados com os relatos que todos conhecíamos dos que por lá ficavam mas dando mostras de alegria nem que para isso fosse preciso entornar mais uns wiskyes no bar do navio.
Tinhamos todos recebido ordens expressas para descermos ao porão e juntarmo-nos aos soldados, acompanhando-os nas batatas e na esclética posta do tradicional bacalhau cozido da ceia de Natal, servida em pratos de metal que tilintavam em algazarra ensurdecedora. Eram os nossos sinos de Natal...
Havia de tudo naquelas mesas compridas. Havia os bem dispostos que disfarçavam bem as suas mágoas e os seus medos, havia os nostálgicos, que choravam como crianças, incapazes de disfarçar o que quer que fosse e até os que alegremente cantavam as musicas populares em moda da altura.
Mas...oh ironia...que ouvia eu?
Acompanhado pela sanfona de um acordeão mal afinado alguém cantava com voz troante o "Adeus Guiné" !.....e nós que nem lá tínhamos chegado ainda.
Mal sabíamos nós que havíamos de passar mais dois natais juntos.
Feliz Natal para todos.
Alvaro Basto

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Uma "plantação" de minas e a "primeira emboscada"...

Ora bem, entrava eu no aquartelamento vindo da Ponte dos Fulas, desta primeira vez não estive muito tempo – ainda bem, regressei aonde nunca tinha estado a não ser só de passagem – ao aquartelamento… Aí aprendi isto… pois só tinha aprendido que na ponte dos fulas estava um grupo de Combate… e aprendi – “ipso factu et al pare”… porque experimentei e vivi lá… Mas agora era assim, dos três grupos de Combate que ficavam no quartel no Xitole - um ia fazer patrulhamento já bem integrado no mato e nas cercanias da companhia, outro grupo seguia para as Tabancas – missão psico; outro ficava de serviço ao aquartelamento… A Formação e Comando claro sempre no quartel lá olhava pela nossa comida, pela mecânica e enfermaria, por guardar as armas etc etc… e olhava pela Secretaria do Regimento – bonito nome… E enfim – bem vamos semear minas… Bem lá vem o Cmdt de meu Pelotão - saudoso, e diz-me. Guimarães vamos colocar aqui uma minas… Na frente da casa dos Morteiros, do abrigo junto à porta de Armas onde tínhamos o 1º Grupo de combate, o outro que se seguia na mesma direcção, onde estava o 2º grupo, já junto à casa dos morteiros e depois a frente da Casa do Chefe de Posto e Cozinha – tudo foi minado a cerca de 50 a 100 metros… mina Portuguesa M.966 com espoleta de pressão… Não precisávamos de guardas e O Alferes eu e o Quaresma lá colocamos aquilo… Só queria dizer um segredo de estado – não tinham detonador… mas quem manda pode e obedece quem deve… Portanto uma plantação não profícua e inútil em que só um se acreditava que aquilo funcionava… bem e quem não sabia teria medo – valeu por isso. Afinal nos andamos a fazer aquilo de dia ali bem perto dos da Tabanca – ele informariam os amigos … quiçá meus alguns… porque afinal… ELES SABIAM TUDO… Bem – outro dia e mais plantação de minas – fui eu com o Ferreira, para a mesma frente mas já do lado das tabancas, acima da casa do Jamil Nasser… Bem essas minas e foram duas do estilo das primeiras já tinham detonador. Sampaio (saudoso), Quaresma (saudoso que ali perto morreu a armadilhar), Ferreira e eu éramos respectivamente o Alferes e os três Furriéis de Minas e Armadilhas da Carta… E a vida sucedia-se no dia a dia … mato, tabancas e serviço… levar a comida à Ponte e pronto… 25 de Julho…. esta data “copiei” – estávamos sossegados no Acampamento e o Correia sai com o primeiro Grupo de Combate… foi a ele que tocou… a certa altura que valente tiroteio… naquele altinho que existia em frente onde andamos a armadilhar antes, digamos que entra o nosso quartel e a Ponte… trá… trá.. trá… pum pum… e o Morteiro 81 junto à casa da secção que dele se encarregava fez fogo para as bandas da emboscada… Passa tempo e eis que chega o Grupo de Combate com o Correia (Alferes 2º Cmdt da CART)… Pronto e lá vem a história da emboscada – a 1ª… Quando já em posição de emboscados – na mata, um dos soldados vira-se para o Alferes e diz: - meu Alferes uma cabra de Mato: - atira-lhe diz o Correia… e aquela Cabra poderemos dizer que foi um “Anjo de Guarda… porque por detrás dela estava mesmo um grupo de IN… estes sentiram-se detectados, atiraram e fugiram… parece que ainda tiveram feridos, sendo que a nossa tropa não teve nem uma beliscadura…. Ainda bem…. O Soldado que detectou o Anjo mais tarde veio com o prémio Governador-geral à metrópole. Pronto, foi a maneira de dar uma prenda. Um abraço, David Guimarães

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ponte dos Fulas - meu primeiro destino de guerra

O Destacamento da Ponte dos Fulas
As "suites" com as respectivas valas
A Ponte dos Fulas
Ao fundo, junto à ponte, o "fortim" de segurança imediata
No ano de 1970, 16 de Maio pelo fim de tarde sai de Viana do Castelo um Comboio com um Batalhão rumo a Alcântara… parou três vezes… uma em cima da ponte de Viana (um militar desenquadrado das formaturas – chegou na hora do comboio partir e (pendurou-se na plataforma da porta)… como as portas estavam trancadas – ELES LÁ SABIAM PORQUÊ – o alarme toca e o militar então entrou para a carruagem em cima da ponte… Novamente em marcha fomos parar em Campanhã… Ali aguardavam os nossos Comandos o CMDT da Unidade mãe – RAP2 – e fizeram-se as despedidas… Entretanto mudou-se a locomotiva também… E lá partimos e surge a terceira paragem e última do Comboio…. Estação Marítima de Alcântara… Era o dia 17 de Maio, um navio embandeirado e muito velho (Carvalho Araújo), nós a entrar para dentro daquela coisa… uma festa dos diabos no meio de tantos choros… e lá fomos…. e era dia 25 de Maio e lá estávamos nós a desembarcar ali… numa água muito turva e um clima altamente quente e abafado… Trajecto até Brá e pronto lá nos instalámos nas tendas de campanha… Uns dias depois, poucos, aí vamos nós ruma ao rio e entramos naquele grande barco de ferro… que coisa…. Era noite… Uma Berliet, um Batalhão inteiro e tudo o mais… as ideias, as saudades e começa aquela coisa a andar… Uma LDG que passadas umas horitas atracava no cais do Xime… onde saiu tudo… Já era dia claro que era… a noite tinha-se passado naquela excursão rio acima…. Ouviamos o termo pira… os deditos no ar… Ordem…. Viaturas e mais viaturas… a Cart 2715 fica aqui as outras embarcam nas viaturas… (CCS, 2714 e 2716)… e lá começou aquilo a andar… Bambadinca… a CCS desce aqui as outras seguem… mais dedos no ar e chamamento de piras…. Recomeçou a marcha…. A coluna volta a parar…. Aqui é Mansambo, desça a 2714…. A outra segue…. Uma Companhia que ia bem para mais longe…. A 2716 que continua… sempre no mato víamos de um e de outro lado tropa… que nos saudavam com os dedos de pira… até que surge uma voz de alguém que nos acompanhava… Isto aqui é vosso – A PONTE DOS FULAS… mais uma roda de piras e... continuamos mais aqueles 3 km… e no terreno meio inclinado aí estávamos nós Xitole…. Bem aqui e ali alojem-se … aqui sargentos ali oficiais…. Vivam estejam bem, sejam bem vindos, eu também já fui pira… a minha farda já foi nova etc etc… Mas a Ponte dos Fulas tinha lá tropa… - quem me dera não ir para lá… pensei eu… ali deve ser um desterro…. Tinha-se passado um dia e ordem de sorteio… quem vai para a Ponte dos Fulas? 3º Grupo de Combate – neste momento vão só duas secções que serão enquadradas pelas duas da Cart que fomos substituir… E la foram as duas secções – por um mês. Não é que uma das secções foi exactamente a minha…. Comecei assim a minha guerra do Xitole não aí, mas na Ponte dos Fulas… Onde cedo conheci o Mamadu pescador, que era o único sinal de civil que por lá aparecia quando ia à Pesca para o Pulon.. o tal rio que numa época quase nem corria e noutra era um grande rio… mais nada… Dizia-me um Furriel já velhinho – que me ensinava estar na Ponte: - aqui não fazes nada, é só vigiar e deixar passar o tempo – e de noite se estiveres com atenção ouvirás de vez enquando o batuque …o deles claro… apontando-me os lados de Satecuta….. Isto foi verdade… eu ouvi mais vezes sim, portanto não era treta de velho… Como me tinha esquecido dos meus Valiuns no Quartel do Xitole pedi ao Furriel Ferreira, meu camarada de curso e também de minas e armadilhas – que providenciasse para ao outro dia me lá levarem a pílula… Não há dúvidas ao outro dia lá tive a pílula e o negócio de estar ali um mês destacado a fazer – nada… Mas fez-me bem começar na PONTE DOS FULAS. David Guimarães

Onde é o Arraial?...

" Resultados" na sala do soldado
da 1ª flagelação ao Xitole em 04.04.1972
Empenagens de granadas de canhão sem recuo
recuperadas depois da 1ª flagelação ao Xitole em 04.04.1972
Ao fundo vêem-se as valas que utilizávamos durante as flagelações.
No almoço que tivémos em Monte Real, o António Azevedo, nosso médico "de serviço", (é sempre bom ter um médico por perto nestes almoços...), contou-me a seguinte história que tenho a certeza não levará a mal que aqui a reproduza.
Conta ele que quando foi o primeiro ataque ao Xitole estava no exterior da "messe" de oficiais e ao ouvir os sons das saídas de morteiro e canhão sem recuo, começou a olhar para o ar para ver onde era o "arraial", pensando estar em Viana do Castelo nas festas ou coisa parecida.
Conta também que se sentiu projectado no ar e caiu dentro da vala, comigo por cima.
Tinha sido eu que o tinha "atirado" para a vala ao dar-me conta que ele não percebia o que se estava a passar!
Se fosse hoje, com o meu peso, esmagava-o!!!!
Se a história não for bem assim, peço ao Azevedo que a emende, porque é preciso mais alguém a dar vida ao blogue.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Fado da Guiné

O Luis Graça pediu-me há uns tempos que fizesse um fado para nós Ex-Combatentes da Guiné, ou melhor, como já vi nalgum sitio, Combatentes da Guiné. Aqui está o resultado! Mais tarde, quando houver oportunidade irá ter acompanhamento.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Vamos lá dar vida a isto

Pois é meus caros.... com o diz o David era praticamente inevitável.
As nossas memórias de guerra têm de ficar perpetuadas aqui para os vindouros.
Vamos lá dar vida a isto.
Acreditem que não custa.
Mesmo para os que têm mais dificuldades de tempo e estão menos familiarizados com estas "modernices" de blogues & Cª. temos de demonstrar coragem, afinal eu diria que já estamos habituados, e enveredar por estas movas formas de comunicação. Vencido o medo inicial vão ver que é fácil. Não hesitem em contactar-nos a mim ou ao Mexia Alves para uma ajudinha aqui e ali. no que soubermos obviamente.
É preciso é escrever
Ontem em conversa com uma das nossas "guerreiras" a Cristina Botelha obtive a promessa de qualquer coisa muito original (acho que nem no Blogue do Luis Graça" há algo assim), umas notas da guera vista pelos olhos de quem a viveu ao lado do marido combatente. Não vai ser fácil mas vou estar atento e insistente para vermos isso aqui.
Mais projectos: vou continuar os reencontros pessoais com os camaradas. segue-se o Faceira e o Cabral e agora com este espaço previlegiado vou passar a publicar aqui as notas desses reencontros.
Todo o espólio fotografico que estou a publicar em http://s234.photobucket.com/albums/ee22/guine74/ irá ser directamente integrado aqui no blogue (não sei muito bem como ainda mas eu descubro.
Há inclusivé um filme do Xitole feito em 2005 que pretendo inserir aqui para que o possam visionar todos os interessados.
Apelo uma vez mais para terminar à vossa coragem para aderirem a este projecto contribuindo para o seu engrandecimento.
Um abraço a todos
AB

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Como é que o Jamil sabia???

Quase todos os dias, ao fim da tarde, eu e outros, saíamos do aquartelamento e íamos a casa do Jamil Nasser, comerciante libanês, beber uns "uisques", acompanhados de tomate cortado aos bocadinhos só com sal. Era assim como que a modos de sair da tropa e ir beber um copo em "sociedade civil". Como se lembram, o Jamil tinha um criado, (gaita, era assim que se chamava naquela altura, por isso nada de criticas), que era da Gâmbia, e falava inglês. (Se falasse françês, se calhar também tocava piano)!!! Ora um dia em que me preparava para ir ao "social", ou seja, beber uns copos a casa do Jamil, apareceu o Suri, (assim se chamava o tal criado), dizendo-me que o Jamil pedia para não irmos naquela tarde. Fiquei a pensar o que é que o raio do homem tinha para fazer no Xitole tão importante, para negar aquele convívio de que ele também tanto gostava. Não foi preciso pensar muito porque pouco depois ouviram-se aqueles barulhos típicos das saídas de morteiro e canhão sem recuo e tivemos de ir beber os "uisques" para a vala. Como é que o raio do homem sabia?!!! Mistérios?...EhEhEh...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Começando a "Comissão"...

Pensei como havia de começar a minha participação aqui no blogue.
Passaram-me pela cabeça episódios "épicos",histórias da guerra, coisas para rir, enfim, um sem número de hipóteses.
Vi as minhas fotografias e não tive dúvidas!
É esta mesmo, tirada no dia dos meus 23 anos, na "messe de oficiais" do Xitole!
Assim começamos a rir, porque é sempre o melhor remédio, mas também começamos a perceber que aquilo lá não fazia bem a ninguém.
Convosco, camaradas de comissão, camaradas de Xitole, parto para esta nova aventura, que já foi vivida e agora vai ser recordada.
Anseio por vos ler, por vos ver, por vos viver, por vos abraçar.
.
"Ó Mar salgado
quanto do teu sal...
Valeu a pena...
Tudo vale a pena se a alma não é pequena...."
Fernando Pessoa

UMA BOA IDEIA

Creio que um dia teria que acontecer isto... os blogues das companhias (CART's), C. CAC's) , os blogues mais das terras por onde andamos... E agora que nos conhecemos melhor e bem, no blog do Luís, nosso em conjunto... seria efectivamente necessária esta acção, para nós - melhor falarmos da nossa terra (refiro-me aos campos de batalha) e assim, avivando memória e peripécias passadas na mesma tabanca, nos mesmos matos e até no cajueiro... podermos relatar a nossa história melhor engrossando assim os grandes testemunhos dados no "novesforanada" que nos fez encontrados... afinal Jamil, Raschid, Sambas e não sei que mais... foram os do Xitole que conheceram - a ponte Carmona etc etc.. era a maralha do "Xitole" que conhecia. E eram os do Xitole que melhor se enquadravam na área adstrita que ia do Jacarajá, Salifo, Corubal até Satecuta, Ponte Carmona e Tangali - tudo era zona de intervenção do Xitole... Pronto, agora mais apoiado creio, começarei a participar como sei e faço para com a grande Caserna do Luís - e contarei as histórias que sei e aconteceram na altura, apoiado na memória e nos escritos do Livro do BART 2917 na parte que diz repeito à CART2716... Também aqui falarei da visita que fiz aquela terra em 2001 - e enviarei os documentários fotográficos e outros que possam servir para enriquecer este blogue que tem todo o cabimento existir... e assim falaremos do XITOLE... Em tudo o que não conste e seja de interesse geral - entendo que deverá ser metido o feito ou "estória" no novesforanada - porque afinal será sempre aquele blogue a casa mãe e sei que o Luís ficará contente - em saber que da mater saiem filhos e que são queridos, porque beberam de lá os ensinamentos e crescem agora à sua maneira debaixo da disciplina da sã convivência... Ai Mexia Alves enquadrado na Cart que substitui a nossa Carta 2716, que na altura os vi com agrado a me irem render no meu "adeus às armas" - e que agora conto a ele e a outros que nos reencontramos como grandes amigos - endereço então o abraço a todos na figura dele - que bem pode porque é "bem grande"... e digo mais firmemente porque sei que estou na presença de um amigo. Emocionado, quis ser eu também um dos que manifestamente quer que este blogue cresça - na verdade das nossas histórias do tempo em que uma garrafa de Whisky custava 50$00 e a guerra existia - e de que maneira... Assinalo assim a minha presença - David Guimarães, ex: Furriel Miliciano At de Art. e Minas e Armadilhas nº 17345368, Cart 2716 quartelada no Xitole (do BART 2917 - sediado em Bambadinca).

Uma Justificação e uma espécie de Linha Editorial

A ideia deste espaço, surgiu-me depois do primeiro almoço da CART 3492, que aconteceu em Monte Real, dia 5 de Outubro deste ano, ou seja, 34 anos depois de sairmos da Guiné. O “seu a seu dono”, e este almoço aconteceu, porque há uns tempos o Luís Graça se lembrou de fazer um blogue, Luis Graça & Camaradas da Guiné em que se juntassem todos os ex-combatentes da Guiné e ali pudessem trocar as suas vivências, as suas histórias, as suas visões da guerra em que estivemos envolvidos. Os contactos foram acontecendo, foram-se provocando e passados uns meses aconteceu o almoço. Quando cheguei a casa depois de um dia emocionante, (para além de bem comido e “regado”), surgiu-me a ideia deste blogue, XITOLE, onde se juntassem todos aqueles que por lá passaram, seja integrados numa qualquer Companhia, Pelotão de Morteiros, rendição individual, enfim, que lá estiveram por causa da guerra, seja quando ou por quanto tempo tenha sido. Vamos convidar todos os que queiram ser convidados e “preencham” as condições acima descritas, e todos terão acesso a colocarem directamente os seus textos, fotografias, canções, etc, etc. Por isso mesmo há que estabelecer uma espécie de regras, ou qualquer coisa parecida com isso. Assim, não serão permitidos insultos, palavrões, (para além daqueles que possam transcrever um qualquer episódio), considerandos sobre religião, (seja ela qual for e de quem for), politica, (a não ser dizer mal do governo...estou a brincar), e sobretudo discussões parvas!!! Aconselha-se vivamente a que não sejam emitidos juízos de valor sobre os camaradas de armas da Guiné. Aconselha-se também que não se diga mal dos comandantes, a não ser os que tenham sido incompetentes...o que já dá pano para mangas! Estas regras poderão ser alteradas se tal se justificar.
Já falei com o Luís Graça sobre o assunto, e é nosso desejo manter sempre uma agradecida e estreita ligação com o blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné , como ele também deseja. Como compreenderão alguém tem de velar para que as poucas regras sejam cumpridas, e como eu sozinho me é dificil, (para além de não perceber patavina destas coisas da informática), irei convidar outros camaradas que me queiram ajudar na “gestão” deste espaço, que já sabemos, não irá dar trabalho nenhum. Agora mãos à obra e todos os que se lembrarem de outros que tenham estado no Xitole e queiram juntar-se a nós, basta enviar para o endereço de mail que está no perfil, o endereço dos interessados e de imediato lhes será enviado o código de acesso.
Um dia poder-se-á fazer um almoço com todos os que estiveram no Xitole e em épocas diferentes, o que já é um enorme motivo de conversa e de amizade.